Nosso Destark de julho é mais do que um corredor, é mais do que um maratonista, é um ultramaratonista. Se qualquer um de nós já acha os 42K de uma maratona um super desafio, imagine uma prova de 90K? Pois ele encarou. Com vocês, Rodrigo Costa, o ultramaratonista da Stark conta um pouco da sua história pra gente.

“Iniciei na corrida há 6 anos, em 2012. Até então sempre havia sido uma pessoa sedentária. Mesmo na fase do colégio, na adolescência, eu nunca havia feito esporte. Sempre fui aquele gordinho, aquele cara sobrepeso. Realmente me dedicava mais aos estudos, mais aos negócios e deixava de lado esse cuidado com o corpo e com o preparo físico.

Por um convite de um amigo, Pedro Albuquerque, o Pepê, que havia montado uma pequena assessoria entre colegas de um escritório de advocacia, comecei a treinar. Fui sem nenhuma vontade, confesso. Falou mais alto a inibição de dizer não a um amigo, do que verdadeiramente a vontade de sair do sofá. Por isso fui sem ambição alguma, quase que convencido de que aquilo não iria pra frente.

Mas foi.

No início foi complicado, faltava mais do que ia, sempre era um sacrifício, mas veio o primeiro km percorrido, o segundo, o terceiro, e fui evoluindo aos poucos, mas sempre com dificuldade. O Pepê, com um sobrepeso bem acima do meu, já nessa época corria uma distância bem acima também: 21k, e insistia para que eu chegasse a essa quilometragem. Aquilo parecia inalcançável para mim. Uma coisa de outro mundo.

Em julho de 2013 eu corri do Iguatemi às Tapioqueiras, completando meus primeiros 10k, em 1h e 10 minutos. Essa conquista mexeu comigo, me motivou e me encheu de confiança. Nesse mesmo ano o Pepê, ainda com um sobrepeso acima do meu, correu a Maratona de Berlin, foi quando eu pensei: “eu também posso conseguir”.

Consultei meu professor e ele disse que eu era capaz, tanto que traçou para 4 meses a partir dali, em Chicago a minha primeira Maratona. Eu achei uma missão complicada (nem 21K eu corria ainda), mas iniciei a preparação. Vieram lesões e empecilhos. Até pouco tempo antes da prova eu estava de muletas, mas no dia deu tudo certo e eu completei a maratona em 4 horas e 6 minutos.

De lá pra cá não parei mais. Já se vão 12 maratonas e 2 ultra-maratonas. A corrida passou a ser uma parte indispensável da minha vida e da minha família. Consegui levar para o esporte a esposa, também maratonista, e as duas filhas pequenas, que também já correm comigo.

Entre as provas de destaque está a Ultramaratona Two Oceans, na África do Sul, onde corri 56K. A Maratona de Tóquio, onde tive meu recorde pessoal (3 horas e 42 minutos), e ainda maratonas de Berlim, Paris, Deserto do Atacama, entre outras.

Até que chegou a hora em que eu estava precisando de algo a mais, de uma meta maior, de um desafio que a Maratona já não me oferecia. Foi então que, embalado pelo Edgy e por um grupo de atletas parceiros da Stark, eu participei da Comrades 2018, a rainha das ultramaratonas. 90K de um esforço sobre-humano, superando dores, superando limites, até tudo ser recompensado quando, após 10 horas e 27 minutos, você entra em um estádio lotado e vibrante, com todos torcendo pelo seu sucesso. Um filme passa na sua cabeça. Aquele foi, sem dúvidas, um dos momentos mais emocionantes da minha vida.

Histórias como essa ilustram o quanto a corrida faz bem à minha vida. Ela me deu mais saúde, me deu mais felicidade, me deu novas experiência, me deu grandes amigos e, acima de tudo, me deu uma capacidade inabalável de superar as dificuldades, sejam elas pequenas, grandes ou ultras.”