Destark desse mês sai nesse 08 de junho, porque hoje é o Dia Mundial dos Oceanos e o nosso homenageado passa boa parte do seu tempo dentro deles. Apaixonado pela natação, Paulo Andrade conta um pouco da sua história pra gente. Confira:

“Sou de Fortaleza, nascido e crescido em uma área de risco da cidade. Filho de uma costureira com um motorista, ambos vindos do interior do Ceará, fui uma criança como tantas outras da periferia: cheia de sonhos tão grandes quanto distantes da minha realidade. Mas foi com muita garra, força e superação que consegui realizar muitos, e dois deles me dão a oportunidade de estar aqui contando um pedacinho da minha história.

Duas lembranças me marcaram muito na infância: uma é de três medalhas do meu pai penduradas na sala, do período em que ele serviu o Exército, e a outra é das piscinas do SESI (Serviço Social da Indústria) da Barra do Ceará, que eu admirava sempre que precisava utilizar os serviços de saúde daquela entidade. Aquelas imagens despertaram em mim o interesse em fazer natação e de possuir medalhas como as do meu pai, algo que só consegui concretizar depois de adulto. Até alcançar esse feito tive que superar muitas barreiras para conseguir nadar, entre elas os vários muros, grades e seguranças que eu precisava driblar para ter acesso às piscinas dos clubes.

Aos 21 anos de idade, ao escolher a instituição em que eu me formaria, optei enfrentar a rigorosa seleção da ETFCE (Escola Técnica Federal do Ceará) por dois motivos: a qualidade do ensino e o fato deles terem uma piscina dedicada ao treinamento dos alunos. Era a oportunidade de nadar sem ter que pular nenhum muro, nenhuma grade e nem de ter que driblar a segurança.

No dia que tive a chance de cair na água fui barrado pelo professor de educação física que disse que só ia me liberar para usar a piscina se eu soubesse nadar pelo menos um dos quatro estilos. Eu pensei, “estilos?”, e respondi que “sabia” nadar dois estilos, o de “frente” e o de “costas”. De imediato ele me pediu para subir na baliza e cronometrar meu tempo, dizendo que só após registrar minha marca poderia me liberar para usar a piscina. Naquele momento eu era capaz de fazer qualquer negócio para entrar naquela piscina e tomar um banho, então pulei na água e coloquei todas as minhas forças para ganhar o acesso à piscina. Terminei de nadar e ele me perguntou se eu gostaria de treinar todos os dias. A minha sensação foi de vitória, pois era o fim dos muros, das grades e dos seguranças. Ele completou dizendo que quando eu aprendesse a nadar de verdade, e treinasse com frequência, subiria no pódio em todas as competições e ganharia as tão sonhadas medalhas.

Depois de algum tempo de muitas realizações e conquistas na natação, esse mesmo professor precisou viajar e tive que procurar um novo treinador e um novo local para treinar. Foi então que conheci as Irmãs Brandão e pude retornar aos treinos. Liderado por uma delas, veio um período de novas conquistas e realizações, até que, por motivos profissionais, precisei abandonar a natação e viajar. Me vi obrigado a ficar longe das piscinas, dos treinos e das competições por mais de seis anos.

Quando retornei à Fortaleza e pude retomar os treinos de natação, não pensei duas vezes, fui à procura da minha última treinadora, Josie Brandão, exemplo de atleta e profissional. Foi quando descobri que ela estava treinando o Time da Stark na UNIFOR (Universidade de Fortaleza). Não pensei duas vezes ao pedir um espaço na sua turma. Um time que me acolheu muito bem e que só tem me dado alegria e realizações.

 

Posso dizer sinceramente que a Stark, representada pela professora Josie, me ajuda a alcançar feitos que superam os sonhos que eu tinha quando criança: se eu sonhava em ganhar algumas medalhas, conquistei mais do que cabem em meu pescoço. E se eu sonhava com um cantinho para poder nadar, hoje, além das melhores piscinas, tenho um oceano inteiro ao meu dispor.”