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A corrida representa uma das mais populares expressões da atividade física. Ainda que os benéficos oriundos da sua prática sejam bem conhecidos pela ciência médica, suas conseqüências adversas têm causado grande preocupação. Dentre elas, a que mais preocupa, pela sua gravidade e sobretudo por sua alta prevalência, são as lesões que atingem o aparelho locomotor. É de conhecimento público que muitos daqueles que estão envolvidos num programa de corrida estão sujeitos a ocorrência de lesões que podem atingir as estruturas do aparelho locomotor, especialmente os ossos, músculos e articulações. Estudo de CooK et alli (1990) aponta que, cerca de 50 a 70% dos corredores ativos apresentam algum tipo de lesão diretamente relacionada à prática da corrida.
O surgimento das lesões faz com que muitos abandonem a corrida, condição que, apesar de auxiliar na regressão da lesão, tem um custo elevadíssimo, pois como se sabe, o sedentarismo é uma das causas primárias de muitas doenças. Têm-se, portanto, uma situação bastante clara: a corrida representa uma excelente estratégia para promover a saúde, porém precisa ser realizada em condições ideais para que não provoque lesões capazes de incapacitar a sua prática.
As lesões como decorrência da prática da corrida estão diretamente relacionadas às forças impostas nas estruturas biológicas. Quando o impacto gerado pela atividade é maior que o limite suportado pelo aparelho locomotor, as lesões começam a surgir. O equacionamento da questão poderia sugerir a adoção de uma estratégia aparentemente simples: abandonar a corrida e partir para a prática de uma das muitas “atividades sem impacto”. Infelizmente não podemos privar o aparelho locomotor do impacto, pois sem ele muitas das estruturas biológicas sofrem uma impressionante redução da sua capacidade de trabalho, levando o indivíduo a um estado de tamanha debilidade que pode inviabilizar até a execução das tarefas cotidianas. O que parecia ser simples, transforma-se numa tarefa complexa: oferecer a “quantidade” ideal de impacto, de modo a estimular o desenvolvimento do aparelho locomotor, o que fará com que ossos, músculos, ligamentos, tendões e cartilagens se tornem mais resistentes, e conseqüentemente mais aptas ao desempenho das atividades cotidianas, sem no entanto lesioná-las.
Existem diversas estratégias de controle do impacto, dentre as quais destacamos o calçado esportivo. Quando se considera a possibilidade do calçado diminuir o impacto causado pelo movimento humano, deve-se definir claramente qual força deve ser atenuada. O primeiro pico da Força de Reação do Solo, uma das mais significativas forças externas, representa o momento crítico da aplicação desta força. Sua característica mais expressiva é o rápido crescimento em um pequeno intervalo de tempo, fazendo desta fase um evento de alta freqüência, que oscila entre 8 - 25 Hz (Frederick, 1986). A possibilidade de o aparelho locomotor responder, por intermédio de ação muscular, a tal estimulo é bastante remota, visto que o tempo necessário para a resposta ativa dos músculos é geralmente maior do que o tempo necessário para atingir a força máxima.
Na fase de apoio do ciclo da corrida, o primeiro pico é alcançado em aproximadamente 30 ms (CAVANAGH & LAFORTUNE, 1980; MILLER, 1990), enquanto a resposta muscular voluntária dos membros inferiores não ocorre antes de 40 ms (WINTER & BISHOP, 1992). Por esta característica, o primeiro pico da FRS tem sido genericamente denominado de força passiva (NIGG, 1983). A manipulação do solado e da entressola do calçado esportivo tem sido largamente utilizada pela indústria do calçado com vistas a otimizar a redução deste impacto. Muitos dos fabricantes que disputam o mercado têm investido na criação de sistemas que reduzam o impacto.
Alguns propõem “eliminar” o impacto, condição que obviamente é impossível de ser concretizada. Portanto, fique atento. Procure saber se o seu calçado de corrida foi biomecanicamente testado. Cuidando de sua saúde você poderá correr mais rápido, correr mais tempo, e por toda a vida!
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