Treinamento/ Gerais/ Minha primeira aula de Iyengar


"Foram as posturas mais alinhadas que já executei. Corrigi erros que não sabia que cometia. Só senti falta de um pouco mais de meditação", Thays Biasetti, repórter e iogue.

Sempre fui uma mulher do Hatha Yoga. Comecei a praticar por questões físicas e emocionais: tinha uma dor na cervical decorrente de uma batida de carro e sofria de ansiedade desde criança. Gostava muito das aulas de Hatha porque me ajudavam a entrar em contato comigo para aprender a lidar com a ansiedade, além das posturas que alongavam os músculos. Depois de alguns meses, já me sentia melhor, sem dor nem ansiedade.

Quando vim trabalhar na Prana Yoga Journal entrei em contato com outras tradições do Yoga que conhecia, mas não havia praticado, pois na minha cidade, no interior de São Paulo, não há muitas escolas com estilos diferentes. Fiquei louca para experimentar. E a primeira nova tradição que conheci foi o Iyengar. Todo mundo dizia que o Iyengar era uma modalidade bem puxada, muito preocupada com o alinhamento, o que me deixou mais curiosa.

Uma quinta-feira à noite, fui para o Yoga Dham, em Perdizes, praticar minha primeira aula de Iyengar. Logo que entrei, já notei a diferença: além do mat, levei para a sala blocos, cintos, cobertores e almofadas. A professora Mariana Akamine me perguntou quanto tempo de Hatha Yoga eu havia feito para saber o quanto poderia avançar na aula. Mariana pediu que sentássemos com os glúteos apoiados no cobertor em posição de lótus, uma dica bem prática e que torna a postura mais fácil de manter. Fizemos um pouco de interiorização e recitamos mantras, mas logo já estávamos nos asanas. "Será que é só isso de meditação?", pensei.

A professora passou vários asanas que eu já praticava. Mas devo dizer que nunca achei nenhum deles tão difícil quanto foi no Iyengar. Os props utilizados na técnica realmente facilitam a entrada no asana. O Adho Mukha Svanasana, por exemplo, foi feito com os pés na parede e blocos sob as mãos. Mas a preocupação com o alinhamento deixa a prática bem forte, tornando difícil manter a postura por muito tempo. Os asanas iam sendo feitos e a professora corrigia cada movimento e colocação errada de músculo ou ossatura. Com esses acertos, percebi que a maioria dos meus asanas estava torta e corrigi erros que não sabia que cometia. Eu sabia que algumas posturas não estavam perfeitas, mas outras, como Savasana, não podia imaginar que estavam desalinhadas.

No Adho Mukha Svanasana, eu tinha consciência que havia problemas com as costas, pois não conseguia afundar o quadril totalmente. Mas fiquei surpresa em saber que estava tensionando os ombros, que a cabeça estava mais para cima do que deveria e que os braços deveriam ficar rodados para outro lado. Antes de terminar, fizemos o Salamba sirsasana pendurados em cintos presos à parede. Algumas pessoas não conseguem fazer essa postura por medo. Confesso que foi a minha parte preferida da aula. É uma delícia ficar de ponta cabeça, solta no ar (sempre gostei disso, desde criança). O relaxamento em Savasana foi proveitoso, já que os props ajudam a relaxar.

Quando saí da aula, estava me sentindo leve, alongada e dois centímetros mais alta (sei que é impossível, mas é a sensação que você tem). Gostei muito da prática, tanto que continuo fazendo toda semana, e acredito que todos os iogues deveriam praticar Iyengar pelo menos uma vez por semana, pois corrige o alinhamento, evitando lesões.

Foram as posturas mais alinhadas que já pratiquei. No entanto, achei a aula um pouco técnica demais, com muita ênfase nas posturas. No Iyengar, a única parte de meditação é aquele começo rápido, o que não é suficiente. Senti falta dessa parte de interiorização com meditações, mantras e pranayamas que o Hatha Yoga se aprofunda e que me mantém sã.

Qual será minha próxima experiência? Não sei. Talvez uma aula de Ashtanga bem puxada.

Por Thays Biasetti

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