|
Estudo francês mostra que treino puxado previne câncer de mama, e corrida é o terceiro esporte em intensidade
Além de todos os benefícios para o coração, o pulmão, o condicionamento físico, o emagrecimento, o bom-humor e a auto-estima, a corrida também previne o câncer de mama. Isso mesmo. É o que comprovou um estudo do Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica.
A pesquisa, divulgada no começo deste ano, demonstrou que quanto mais intensa e regular é a atividade física realizada pela mulher, menor é o risco de desenvolver o câncer de mama. Na avaliação feita pelos franceses, a corrida apareceu em terceiro lugar entre as atividades que mais gastam energia. Atrás apenas de squash e artes marciais.
Durante 13 anos, os pesquisadores avaliaram os hábitos esportivos de 100 mil mulheres, nascidas entre 1925 e 1950. O resultado provou que as que dedicavam 14 horas ou mais por semana aos trabalhos do lar apresentaram um risco 18% menor em relação às que não realizavam atividade alguma em casa. Para as que faziam exercícios físicos regulares e intensos durante pelo menos cinco horas semanais, o resultado foi ainda melhor: o risco de desenvolver o câncer de mama caiu 38%.
Segundo a oncologista Carla Ismael, presidente da Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia, responsável por divulgar no Brasil os resultados da pesquisa, a corrida está relacionada à diminuição do risco de câncer de mama porque libera hormônios como a serotonina. “Ter mais desses hormônios circulando no organismo torna a pessoa mais feliz, o que fortalece o sistema imunológico, porque está provado que a depressão debilita esse sistema”, diz a médica. “Na falta desse hormônio, o eixo hipófise-hipotálamo, no cérebro, manda estímulos para o sistema imunológico avisando que a pessoa está triste, que passa a produzir menos anticorpos.”
O hematologista e oncologista Bernardo Garicochea, diretor do Serviço de Oncologia Clínica da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Porto Alegre, que teve acesso ao estudo, destaca, além da serotonina, o papel do estrógeno, hormônio feminino. “O estrógeno é um dos principais fatores causadores do câncer de mama. A quantidade desse hormônio no organismo durante a vida da mulher é que pode determinar o risco de desenvolver ou não a doença. E a corrida ajuda a controlá-lo”, explica Garicochea.
Isso acontece porque as mulheres fisicamente ativas, principalmente as corredoras competitivas, passam por uma transformação hormonal. “A gordura corporal está diretamente ligada à produção de estrógeno, e como quem pratica esportes tende a ter menos gordura, também vai produzir menos hormônio”, conta Garicochea.
Além disso, por causa do esforço físico, o ciclo menstrual, também associado ao hormônio, pode sofrer alterações. “Em atletas, a redução dos ciclos ou mesmo a parada completa deles pode levar, igualmente, a uma queda no nível de estrógeno no sangue feminino”, diz o médico. “É um fenômeno comum e não deve ser interpretado com pânico, já que se trata de um mecanismo físico de adaptação no corpo destas mulheres”, conclui.
Por Mariana Romão
|