Dicas/ Corrida/ Corrida na praia com auxílio de pára-quedas


RIO - Quando a editora do Viver Melhor me convidou para testar a corrida com pára-quedas na Praia de Copacabana, hesitei. Não me soou bem o comentário de que havia o risco de voar. Voar? Como assim? Não entendi bem, mas resolvi fazer o teste. O susto foi grande ao encontrar a fotógrafa Ana Branco e o motorista Nélio. Iríamos juntos para o local da reportagem. Mal entrei no carro e já foram me perguntando o que faria. "Vou voar", respondi prontamente, brincando, obviamente. E à minha resposta se seguiu uma sucessão de mal-entendidos. A Ana faria naquele mesmo dia fotos de atletas de wakeboard ou kitesurf, não sabia ao certo. E ela achava, e quase me convenceu, que esse seria o meu teste. Por pouco não desci do carro. Voar, puxada por uma lancha e ainda na Lagoa Rodrigo de Freitas? Tudo bem que eu goste de aventuras, mas nada de excessos. Na verdade, ela tinha uma outra reportagem, depois de Copacabana, e não tinha nada a ver comigo.

Já na praia, nos encontramos com uma equipe da academia Body Tech. A corrida é apenas uma parte da aula realizada na areia, a Performance Beach. Além de corrida com pára-quedas, o treino inclui ainda circuitos com cones, corrida contínua e com salto. A idéia é aproveitar o verão para se exercitar ao ar livre. É para suar a camisa, entrar em forma e, de quebra, curtir o visual da orla carioca. Numa sessão de aproximadamente 50 minutos, perde-se uma média de 500 calorias, segundo o professor de Educação Física Bruno Lima. Até para quem não pratica exercício, a idéia não é nada mal. Meu desafio era apenas fazer a corrida com o auxílio de pára-quedas.

Antes de me aventurar na empreitada, observei a professora Júlia Ebert e o aluno Helton Fernandes fazendo o exercício. Após alongamento - não queria correr o risco de um estiramento -, era a minha vez. O professor Thiago Chaib me ajudou a colocar o equipamento: um pára-quedas de nylon que fica preso, por linhas, a um cinto com fecho de velcro. Para a largada da corrida, ele segurou no ar o pára-quedas, mantendo-o suspenso. Após contagem regressiva, Thiago largou o pára-quedas e comecei a correr. Corri rápido e constante. O pára-quedas abriu com facilidade, por conta da velocidade que mantive. Senti um pouco de resistência por conta do vento batendo no pára-quedas, mas a inclinação do corpo para frente me facilitou o deslocamento. Após alguns segundos e cerca de 50 metros corridos, havia completado a corrida.

Repeti ainda algumas vezes a prova. São feitos geralmente de seis a oito tiros (corridas curtas e com velocidade alta) de 20 a 50 metros. O ideal é que seja mantida uma velocidade constante e que se corra contra o vento, para manter aberto o pára-quedas e assim garantir a resistência na corrida. Se há mais vento, o pára-quedas fica mais inflado durante a corrida, aumentando ainda mais a resistência. Não deve haver nenhum obstáculo no percurso, para que ninguém corra o risco de se machucar. A conselho da professora Júlia, fiz as três primeiras corridas descalça e me senti bastante confortável. Resolvi correr com tênis na última corrida e tive um pouco de dificuldade, talvez por ter feito as outras descalça. De acordo com a Júlia, o tênis dá mais estabilidade ao pé na corrida, mas algumas pessoas optam por não usar o calçado.

A aula de corrida na praia com o auxílio de pára-quedas ajuda a aumentar a resistência e fortalece a musculatura da perna, explicaram os professores. Não há restrições, já que os exercícios são ajustados ao condicionamento físico do aluno. Embora tenha operado o joelho esquerdo, há alguns anos, por conta do rompimento de um ligamento cruzado, não tive dificuldade em completar a série. Entretanto, acho que antes de fazer qualquer exercício vale a velha orientação de procurar um bom médico e realizar um teste de esforço.

De acordo com Bruno, a corrida com auxílio de pára-quedas tem sido utilizada como reforço de treinamentos de esportistas, mas também é uma boa diversão para quem fica sempre adiando a hora do exercício físico, como eu. Na hora que bate a preguiça, o elemento motivacional de se exercitar em um ambiente agradável como a praia ajuda, diz o professor. O exercício com pára-quedas faz suar. E a sensação é boa depois da corrida. Mas não voei. Na verdade, fiquei sabendo na praia que, mesmo com muito vento, dificilmente alguém sai do chão, por conta do uso do equipamento, durante a corrida.

Adorei fazer o teste, mas devo deixar claro que, embora esteja um tanto quanto sedentária, gosto de correr. Isso faz muita diferença na hora de escolher entre um e outro exercício. Se isso fosse um diário, colocaria no alto da página o título: o dia em que quase voei. Como não é, deixo aqui no final do texto apenas um recado: coloque uma roupa confortável, escolha o exercício que lhe convier e, com ou sem pára-quedas, no chão ou no ar, aproveite este verão para começar a se exercitar. Eu vou tentar.

Artigo Extraído de oglobo.globo.com

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