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No último treino do ano, dia 29, fiquei surpreso com o convite da Tamara para ser o Destark do mês de janeiro do novo ano. Surpreso, sim, mas foi com alegria e orgulho que recebi a notícia.
Ser Destark não é um fim em si mesmo, mas é uma honra poder falar um pouco de mim e minhas motivações de fazer parte do grupo. Acho que talvez seja este o maior objetivo do título e deste espaço.
Dentre tantos talentosos, sou um esforçado que comecou tarde a treinar (aos 34), mas que tem prazer em acordar cedo quatro vezes por semana para encontrar meus companheiros de treino e dividir com eles as dores e prazeres que só quem corre pode conhecer.
Já treinei judô, karatê, vôlei e natação quando criança, surfei na adolescência e fiz jiu-jitsu nos anos 90. Mas sempre preteria os esportes, pois acabava priorizando a vida noturna. Ao entrar na Stark (em janeiro de 2006), mudei hábitos, que antes eram noturnos, por uma alimentação mais correta e saudável; passei a dormir e a descansar mais, a acordar mais cedo. Melhorei minha concentração, minha disposição, e hoje sou mais calmo. Costumo brincar, falando que correr também funciona como terapia.
Em setembro fiz 35 anos, sou administrador de empresas por formação, e trabalho com turismo há alguns anos. Mais pelo prazer do que por trabalho, tento viajar com alguma frequência, de preferência com a família que amo. Somos poucos, mas inseparáveis. Ainda não tenho filhos, mas tenho dois sobrinhos saudáveis e lindões (o Tiago de 2, e o Gabriel de 4 anos - o mais velho minha irmã Luciana e o Edgy me deram a honra de ser padrinho) que tentarei cooptar - pelo exemplo - para as corridas. 
O Serjão, merecidíssimo Destark de dezembro, definiu bem quando nos denominou de "irmãos de vício". Um vício saudável que nos une como irmãos, padecendo dos pequenos infortúnios e ao mesmo tempo das grandes alegrias que sentimos quando treinamos e participamos juntos das provas.
Gosto das brincadeiras, dos incentivos, e até mesmo da pseudo-competitividade, pois no íntimo sabemos que os maiores desafios são contra nós mesmos, contra nossas limitações.
A verdadeira lição, a recompensa, é estarmos vivos e saudáveis; e o que tiramos de melhor dos treinos, além das amizades, são as pequenas conquistas de cada um.
Meses atrás, sempre em busca de melhorar, não dei importância devida às minhas próprias limitações físicas, nem à alimentação errada, ou inadequada. O resultado foi que "quebrei". De repente, o diagóstico de tendinite no joelho me deixou dois meses e meio ausente dos treinos.
Dois especialistas, muitas sessões de fisioterapia e acupuntura, a disciplina para que a recuperação fosse a mais breve possível. Nunca esmoreci, e me concentrei no objetivo de me curar o mais rápido possível.
Enquanto me recuperava, fui apoio do Edgy (e ajudei no apoio ao grupo) no treino final pra Meia do Rio de Janeiro, para o qual eu estava inscrito também. Foram 19km de carro até o Beach Park, e apesar de um pouco frustrado por não estar suando junto com os companheiros, eu estava feliz por descobrir que o altruísmo de estar ali levando apoio e incentivo também eram uma forma de eu estar participando junto com o grupo.
Ter ficado longe dos treinos me mostrou o quando isto passou a fazer parte da minha vida, estava entranhado neste atleta tardio...meu humor já estava azedando...
O recomeço lento me trouxe grande lições, e tentarei não esquecê-las. Procurei apoio nutricional especializado, e agora não apenas reconheço os meus limites, mas me imponho o auto-controle de não extrapolá-los. Pequenos e importantíssimos aprendizados...
Não serei injusto em destacar companheiros de treinos, pois para mim cada um tem sua importância devida, fiquei amigo de vários, mas gosto de todos. O elo que nos une, através dos treinos de corrida, para mim é o que importa. Sintam-se todos mencionados e agradecidos, e quando digito estas linhas penso em cada sorriso, palavra, gesto de incentivo, como parte da força que me faz continuar correndo. A camaradagem, respeito e amizade de cada um foram fundamentais para que eu me sentisse acolhido pelo grupo.
Às primeiras treinadoras, Kelen e Gabriela, meu reconhecimento pela base técnica e física que apoiaram o então "caminhante" (quando comecei era 10kg mais pesado) a seguir inteiro, e adiante. O mesmo vale para Regina e Estela. Aos atuais treinadores, William, João e Layla, agradeço pela atenção, dicas, conselhos e incentivos que sempre me dão.
Por fim, e de forma especial, agradeço a força, o apoio e a torcida da minha família (pelo amor imutável e incondicional), do Edgy (que começou a treinar antes e me abriu os olhos para um "outro mundo" quando insistiu que eu conhecesse os treinos da Stark) e da Tamara (com a alegria contagiante e o incentivo constante nas minhas pequenas conquistas pessoais).
A todos nós, que 2007 nos traga muita saúde e alegrias! E excelentes corridas, claro.
Abraços a todos.
"A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita."
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