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Fiquei surpresa com o convite da Tamara para ser Destark. Ué? Justo eu??? Mas acho que essa é forma dela dizer o quanto todos nós somos especiais nesse grupo e também de motivar-nos. Então, esse mês sou eu: o rei está nu!
Como todos sabem, eu não corro: eu me divirto quatro vezes por semana enquanto finjo que acompanho umas amigas kenianas que tenho. E é isso que me faz levantar da cama tão cedo: encontrar amigos e dividir dores, sabores e humores que só quem corre sabe como é. Bem, às vezes preciso ir à noite – mas é igualmente maravilhoso porque tem umas kenianas que treinam à noite também.
Venho de uma longa linhagem de sedentários. Na minha família as pessoas gostam de filmes e livros. Eu também. Mas sempre fui muito inquieta e fazer esporte era uma forma que minha mãe encontrou para me “ocupar”. Quando mais nova fiz balé (naquela companhia de Portugal que Cabral trouxe quando veio para o Brasil!), nadei e joguei handbol (sou campeã cearense das escolas do hoje “ensino fundamental” e bicampeã brasileira pela então escola técnica). Com a faculdade, os esportes coletivos ficaram para trás. Depois, pasmem, a gente tem que trabalhar e aí fica difícil mesmo conciliar horários de todo mundo. Fui para academia. Porém, não conseguia dar continuidade – parava, voltava, parava, voltava novamente.... no fim de semana, caminhava... sentia necessidade disso! Então, um belo dia comecei a correr. Isso mesmo, do nada, meio que Forest Gump. E não conseguia parar. Contudo, corria pouquinho – três ou quatro quilômetros, mas todo dia! No Parque da Cidade e no Eixo Monumental (em Brasília), em Boa Viagem.... Por onde morei, são essas as paisagens que mais lembro...
  
De volta a Fortaleza, o Lucas nasceu e meus horários começaram a bagunçar novamente.... Cedo ele foi para as escolinhas de esporte. E lá fui eu fazer karatê. Corria um pouquinho, jogava futebol no aterro com os amiguinhos dele... Começei a participar de corridas de rua. A essa altura já tinha dado um “up grade” na minha corrida e fazia a beira mar inteira. Tudo estava indo bem, quando o mestrado apertou e mudei o status profissional... daí começou a faltar tempo e sobrar estresse.
Além disso, participando de corridas de rua com o Fred, percebi que terminava as provas “quebrada”. Então, passei a investigar as causas: seria porque eu treinava seis quilômetros e corria dez???? Mesmo sem saber a causa ao certo, por influência do Fred, procurei a Stark – acreditem, ele era de uma assessoria concorrente... mas me indicou a Stark (acho que não me queria por perto - rs). Então, lá vou eu correr com assessoria. Era 2007. No começo, daquele jeito. Depois, os resultados começaram a aparecer – sabem como é: correr sorrindo, terminar os dez inteira... e muuuuuuuuuuuuuuiiiiita conversa! Logicamente que isso começou a refletir na minha vontade de superar meus limites.
Resolvi fazer a São Silvestre em 2007. 1h58 e tudo que lembro é de sentir meus pés pegando fogo e de ficar muito feliz ao subir toda a Brigadeiro – feliz, feliz, feliz. Na minha cabeça só passava a voz daqueles locutores da Globo falando na dificuldade dessa subida e me perguntava quando iria senti-la. Fui bem o tempo todo.
Então decidi: vou fazer uma meia maratona. Escolhi a de Fortaleza porque acho que é uma prova super fácil de fazer... olha que cara de pau a minha. A Tamara sabiamente me falou que eu não estava bem para a prova. Precisava de mais treino. Foi a senha para eu decidir que sim (eu sou muito teimosa!). tive problemas de conciliação da agenda profissional com treino, mas fui assim mesmo. Então, 2h32m. Depois, dois meses sem treinar. Overtraning, disse a Tamara. Acho que foi. Não sei, mas a felicidade de tê-lo feito foi maravilhosa. Voltei devagar. Mas voltei. Depois, Volta da Pampulha. Decidi fazer outra meia. A da Disney não deu certo – o Lucas não quis conversa com a baby sister. Então, só me restava a meia de Fortaleza novamente, naturalmente! 2h42m56s. Tempo pior, mas fisicamente melhor. Muito melhor. Inteira. Parecia um treino normal. Cantei com meu iphone os últimos dez quilômetros e terminei superbem – baixa mesmo, só da minha unha!
O que eu aprendi? A corrida me ensinou isso: antes eu só era teimosa, via os limites como algo que tinha que ser superado a qualquer custo. Hoje, eu sei que eles existem, mas a superação tem que ser trabalhada. Km por km. Hoje eu respeito o fato de estar na subida da Pe. Antônio Tomás, morta, o sol matando e conter a ansiedade de fugir da planilha. Hoje eu sei que ao chegar na subida do Beach Park virão os melhores quilômetros que alguém pode correr... ver o Pacoti lá de cima, a plantação de “cataventos”.... e ter a certeza que minhas pernas, minha determinação e os meus amigos me levaram até ali. É mágico. Beijo enorme a todos. Prefiro não cair na tentação de dar nomes, para não ser injusta e falhar com alguém. Vemo-nos por aí, em um treino e outro, em uma prova e outra.
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