|
Sempre evitei os grandes desgastes provocados pelos esportes e atividades físicas em geral. Enquanto meus colegas de escola jogavam vôlei, futebol e a famosa carimba, eu preferia ficar lendo, vendo TV ou muitas vezes só assistindo eles suarem nas brincadeiras. Bem, na verdade, eu era muito ruim mesmo nesses esportes e achava que isso era definitivo, que não adiantaria tentar que não iria mesmo conseguir praticá-los.
Isso virou uma espécie de tabu, uma realidade que eu não contestava e não tentava mudar. Minha falta de habilidade pros esportes me serviam também de desculpa pra não exercitar meu corpo de forma nenhuma, me tornar uma sedentária de carteirinha, daquelas que acreditavam que o corpo era apenas um suporte físico como outro qualquer, que não precisava ser exercitado pra se manter saudável.
Isso durou até eu ir morar em Brasília, no ano de 2004, por causa do trabalho. Levada pelo clima inacreditavelmente leve da cidade, onde as áreas verdes são um convite à contemplação, passei a freqüentar o parque da cidade, pra fazer as famosas caminhadas. Pela primeira vez percebi que as pessoas corriam... rsrsrs. Corriam mesmo, corriam forte e achei aquilo simplesmente inalcançável pra mim...
O choque foi grande e entrei numa academia de ginástica. Passei a acordar às 5:30 da manhã pra malhar, fazer spinning e começar a usar meu corpo de forma até então inusitada pra mim: como protagonista do meu bem estar.
A corrida ainda não era meta, mas passei de sedentária a malhadora inveterada e adorei a mudança.
Em 2006, a minha amiga de longa data Karine Farias, que já naquela época corria muito, me convidou pra ir ao Rio de Janeiro participar da Meia Maratona Internacional. Claro que recusei o convite pra participar da prova, mas aceitei de pronto ir me encontrar com ela na Cidade Maravilhosa.
Fiquei impressionada com a quantidade de corredores e com as pessoas que conseguiam passar mais de 2 horas correndo pra concluir os 21Km do percurso. Mais ainda com o fato de a minha amiga ter concluído a prova num tempo bem bom pra quem nunca tinha feito 21Km antes e estar ali inteirinha na minha frente, como se aquilo não fosse uma coisa suficientemente extraordinária pra merecer grandes comemorações.
A partir dali, passei a correr no Parque da Cidade em Brasília e participei de algumas provas, no máximo de 10Km.
Quando voltei aqui pra Fortaleza, a Karine, novamente ela, me chamou pra entrar na Stark, o que aceitei de pronto. Era disso mesmo que eu precisava: aprender a correr de forma organizada, com um grupo que me incentivasse nos momentos de preguiça, que puxasse o meu ritmo e me desse a força pra continuar tentando correr bem.
Não tenho grandes pretensões atléticas, mas quero conseguir fazer uma meia-maratona pra entrar pro rol daqueles seres respeitadíssimos por mim mesma, que superam a dor e o cansaço porque acreditam que podem e que os obstáculos estão aí pra ser superados e não lamentados.
Um 2009 cheio superação pra todos nós, então!
Beijos a todos da Stark, em especial às minhas companheiras de ritmo, Karine, Iara, Luciana, Amazônia e aos queridos professores João e Laríssa, claro.
|