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"Os homens não escolhem os sonhos. Os sonhos é que escolhem os homens." José Saramago
Não sei bem o que levou a equipe da Stark a escolher-me como o Destark do mes.Acho que critérios subjetivos levam a escolhas certamente subjetivas.De qualquer maneira,vá lá,aqui estamos.Umas das penitências de ser Destark é escrever um texto sobre si próprio(a outra é tentar fazer da maneira menos prosaica possível).
A maioria das pessoas me conhece por Cacá,mas o meu nome é João Carlos Vitoriano,tenho 45 anos ,sou formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará e estou a frente de um escritório de projetos e consultoria ,a JCV Engenharia.
Sempre gostei de esporte desde criança.Aprendi desde cedo com meus pais que o pão do espírito é o outro elemento fundamental no equilíbrio do indivíduo.É foi pautado nestes dois pontos-o corpo e a mente que procuro o traçar a minha vida e é o que tento , e acho que consigo, passar muito bem aos meus filhos.
Ainda garoto fiz com um grupo de colegas do Colégio Santo Inácio caminhadas de vários dias por praias distantes como Paracurú e Mundaú,como parte de programas esportivos e religiosos. Na juventude dediquei-me ao basquete,tênis,futebol,surf, hobbie cat,wind-surf, ao mesmo tempo que devorava pensamentos inquiteantes de Aldous Huxley,Jung e Kafka.Mas foi nos ano 80 que descobri que correr era uma sedutora maneira de praticar esportes e cuidar da saúde de uma maneira integral.
  
Neste período aconteceu o boom do culto ao corpo,da valorização da saúde e a moda das academias de ginástica em Fortaleza,que vivi intensamente.Ao lado de alguns amigos como o Joãozinho Gentil,o Marcos Nagib,o Alfredinho Montenegro,o Jorge Maratona e um pirralho metido a besta chamado Zé Filho promovemos e participamos do primeiro Triathlon de Fortaleza.Na época co-editava uma revista esportiva também pioneira na cidade a Coopernews,que junto com as academias Jaime Ginástica e Espaço 3,patrocinaram o evento.
Os anos 90 me mantiveram um pouco afastado do esporte,afinal a prioridade era a dar o melhor de mim a três melhores coisas que a vida de me deu:o Lipe,hoje com 15 ,o Erick com 13 e a Lina com 11 anos,três joias que são atletas nas quadras e na vida.
A crise dos 40 funcionou diferente em mim.Deu uma vontade enorme de experimentar novos horizontes,novos desafios.Primeiro me levou a voltar a Universidade ,desta vez para estudar Arquitetura e Urbanismo,um sonho que tinha ficado nas curvas das vidas e que me levou a oxigenar a vida,curso que termino este ano em junho.
Outra decisão foi voltar a praticar esportes com mais critério e com acompanhamento adequado. Afinal,pensei,se a gente não tomar conta do nosso corpo,onde vai viver mesmo?
Uma decisão final foi sair viajando com minha família com freqüência, mostrando e discutindo o mundo e as pessoas.Isto me proporcionou momentos inesquecíveis como descer montanhas de gelo esquiando com eles, e vê-los todos,em uma outra oportunidade ,completar uma prova de 5 quilômetros de corrida nos Estados Unidos,horas após eu terminar uma meia- maratona.Sem descrição.
Parecia muita coisa junta ao mesmo tempo,ainda que em paralelo também tenha decido enfrentar outros novos caminhos profissionais-além dos projetos de engenharia, passei a me dedicar,junto com os irmãos arquitetos Nasser Hissa, a concepção e viabilização de empreendimentos imobiliários. Foi aí que lembrei de uma frase que li em um livro de Albert Einstein: ”Algo só é impossível até que alguém duvide disso e prove o contrário”.Tava na hora de provar o contrário.
Foi neste momento que a Stark surgiu na minha vida.Foi o Zé Filho que me trouxe.Foi amor a primeira vista ou melhor,a primeira corrida.O Quinderé disse uma vez que o trabalho que a Tamara faz com este grupo precisa ainda ser melhor descrito e analisado.
Afinal a disciplina,o companherismo,o comprometimento com as metas,os valores verdadeiros,o desafio aos limites,a socialização, são pautas deste nosso grupo.E eis que de repente sprints,hidratação,provas rústicas,maratonas, longões,provas de aventura,bike,planilhas,nutrição,alogamentos passam a incorporar-se ao nosso dicionário e a nossa vida de uma maneira indelével.
Pablo Neruda realmente tinha razão.”Leva um longo tempo para nos tornarmos jovens”.
Cacá Vitoriano
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