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II Meia Maratona Internacional de São Paulo 2008
Agradeço aos Amigos da STARK, João Tavares, Regina e Tamara, que acreditaram e muito colaboraram para a realização do meu sonho de participar e terminar a minha primeira Meia Maratona.
Compartilhar esse momento de minha vida em muito me orgulha, a história desse meu sonho remoto dos tempos em que eu não podia correr por problemas de saúde; desde os meus 20 anos, época que tive a minha primeira crise de hérnia de disco, hoje tenho 45 anos, correr era impossível, foram anos de dores solitárias, quem conhece sabe do que falo que acabaram apenas no ano de 2000, ápice de uma forte crise que me levou diretamente ao centro cirúrgico como a única forma de solução do problema. Para piorar o meu estado de saúde, contava ainda com meus 91 kg de puro sedentarismo, sem maiores comentários.
Depois de minha recuperação, iniciei o retorno lento as minhas atividades físicas que abandonei na época do colégio cearense, boas lembranças que guardo com carinho, as orientações médicas apontavam para que evitasse atividades de impacto, correr nem pensar, participar de provas de rua nunca e o meu sonho em participar de uma meia maratona, impossível.
Pedalar foi à solução, guardei na mente o meu sonho de um dia poder voltar a correr, o certo é que não poderia ficar parado, em pouco tempo já estava programada uma viagem de bicicleta, primeiro foi Paracuru em 2002, depois veio Canindé em 2003, não era promessa, mas ao chegar, assim se configurou em seguida Aracati em 2004, chegou à vez de percorrer em 2005 os Caminhos de Santiago de Compostela entre a França e Espanha, por último o grande desafio em pedalar pelas terras selvagens da Patagônia Atlântica em 2007, entre a Argentina e o Chile, mas essa história já foi publicada no site da STARK, volto então ao meu sonho então distante.
O certo é que pelo meu histórico de saúde não poderia correr mais, pois é sabido por todos, que problemas de hérnia de disco podem voltar no futuro, desrespeitar orientações médicas não é aconselhável, mas mesmo assim procurei me cercar de todos os cuidados, principalmente utilizando bons tênis e assim retornei de forma modesta em 2007.
Meu objetivo era correr no máximo 10 km, mas o vício de correr ataca de forma tão cruel que não se consegue escapar e assim começam os desafios pessoais, melhorar o tempo e aumentar a distância; rapidamente estava pensando naquele sonho antigo de participar de uma meia maratona.
Em todas as competições que participei em 2007 estava lá, a tenda da STARK e aquela animação, no início das corridas passava a frente, no final começavam os atletas da STARK a passar mansamente e eu morto, ficava para trás, algo não estava certo, no mínimo não fui bem treinado.
Começa 2008 e resolvo entrar na STRAK, feliz decisão que veio resgatar o meu sonho em participar da minha primeira meia maratona e da mesma forma que resolvi, rapidamente decide que a primeira seria a II Meia Maratona Internacional de São Paulo em 09/03/2008.
João Tavares, meu paciente treinador, ficou assustado com a minha decisão e logo mudou a planilha de treinamento, que culminou com o treino do Beach Park, ao final ficou tranqüilo e garantiu que estava preparado. Ufa, foi motivador seus comentários que afastou meus temores.
Como sempre, os dias que antecederam a prova foram peculiares, tudo se volta para potencializar as dificuldades, o excesso de trabalho, o estudo na faculdade, as preocupações com os filhos, a falta de treinos na última semana e, para finalizar, um acidente de carro na véspera da viagem; tudo que transformei em mais um desafio a transpor.
Na noite anterior a corrida, o Amigo João da STARK deu as últimas orientações e dicas e recomendou uma corrida conservadora e que fizesse dela um momento de pura diversão, pois era a minha primeira meia maratona, contato que sem dúvida me tranqüilizou, garantindo a confiança que precisava.
O clima da II Meia Maratona Internacional de São Paulo se diferencia em muito das nossas corridas de 10 km, a excelente estrutura, hidratação, unidade básicas de atendimento e UTI móvel, banheiros, guarda volumes, ônibus dos retardatários, o qual não estava nos meus planos utilizar, efetiva participação dos patrocinadores, imprensa e as conhecidas barracas das assessorias esportivas (senti falta da STARK), além dos grandes nomes do atletismo nacional e internacional, o queniano vitorioso Kiprono Chemwolo Mutai, seguido do brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, entre as mulheres, a brilhante queniana Eunice Jepkirui Kirma e as belas brasileiras Lucélia de Oliveira Peres, Marily dos Santos, Edielza Alves dos Santos e Maria Zeferina Rodrigues Baldaia.
O certo é que, o Cearense teimoso também estava lá, com a humilde missão de concluir, em até 2 horas, a Meia Maratona Internacional de São Paulo. Foram 21.097m em 2 voltas de 10.548 m.
O início e a chegada da prova ocorreram na Praça Charles Miller, s/n – Pacaembú, foram 2 voltas passando pela a Av. Pacaembu – Bairro Centro, Rua Margarida, Rua Marta, Praça Padre Péricles, Elevado Pres. Artur da Costa e Silva, Retorno na altura da Rua Major Sertório, Elevado Pres. Artur Costa e Silva, Largo Padre Péricles, Rua Tagipuru, Alameda Olga, Rua Margarida e Av. Pacaembu.
A largada foi tranqüila, acabei saindo no final da fila, por problemas antes da largada, estratégia errada, embora a contagem do tempo por chip despreze o tempo gasto entre a largada e o tapete vermelho. O que atrapalhou mesmo foi àquela fila humana que corria em velocidade e percurso variável, prejudicando a progressão regular na corrida.
A multidão de Corredores, cada qual com seus objetivos e sonhos, me fez lembrar parte do texto Pista Livre de autoria de Mario Dederich, publicada na revista Contra Relógio de novembro/2007, “a hora que passamos correndo – muitas delas absolutamente sozinhos – nos permite meditar”, e continua, “esse momento proporciona a liberdade de nos vermos como realmente somos. Nele examinamos nossa consciência e também fazemos nossas preces. O horizonte aberto se transforma num templo. Toda fraqueza, deficiência ou vício é avaliado e compreendido. Não nos privamos de nenhuma confissão. Se por um lado nos descobrimos finitos e imperfeitos, por outro nos reconhecemos maravilhosamente concebidos. Por instantes como esse, de sublime iluminação e mágica redenção, tendemos a fazer da corrida um dos momentos mais valiosos da vida”.
Ao terminar a primeira volta, aproximadamente uma 1 hora de corrida, passando pela Praça Charles Miller, vejo o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima concluindo a prova.
O percurso não era difícil, o equilíbrio no ritmo das passadas foi o segredo para concluir os 21.097m no tempo de 02:04: 47h de forma relativamente confortável.
Os sonhos são conquistados com muita determinação e amor, mais o esforço não pode ser creditado a apenas uma pessoa, a construção se faz passo-a-passo com a colaboração de muitos, em especial aos amigos da STARK, Minha esposa Daisy e meus filhos Lucas e Luana que, como expectadores de minhas realizações, torceram pelo meu sucesso.
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