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Desde pequeno meus pais sempre insistiram para que eu e meus dois irmãos praticássemos esporte, de uma maneira saudável e sem competição acirrada. Nos idos anos de 1950 íamos a ACM três vezes por semana, fazíamos ginástica, jogávamos futebol de salão e handebol. Minha mãe fazia ginástica e jogava volley-ball. Meu pai, que completou dia 4 de fevereiro 88 anos é o sócio mais antigo da ACM de S. Paulo, onde entrou há 70 anos atrás. Durante 65 anos de sua vida foi 3 vezes por semana fazer ginástica e nadar um pouco. Sempre as 6:30 da manha.
Trabalhei na IBM do Brasil por 25 anos, tendo passado 3 nos Estados Unidos. Nesse período continuei a fazer exercícios, principalmente corridas de rua junto com a Lena com quem casei em 1968. Alem da IBM dediquei parte do meu tempo como voluntário em atividades ligadas ao esporte na maioria das vezes naquelas em que os filhos estavam envolvidos.
O tempo foi passando e os filhos casaram. Por circunstancias não planejadas acabamos nos mudando para os Estados Unidos em 1996. Desta forma ficaríamos perto dos filhos que estudavam na Universidade da Virgínia e por lá ficaram. Sai da IBM e fui trabalhar com o Kid (Cid Jr) na loja Inside-Out Sports que ele tinha iniciado em 1993. Cid Jr começou a fazer triathlon aos 16 anos, hoje com 36 ainda treina e compete. Já participou de 18 Ironman, tem três filhos e treina diariamente. Flávio com 35, já fez Ironman e agora faz maratonas. Também compete ciclismo em Chicago, onde reside atualmente. Silvia com 33 anos também fez Ironman e agora com dois filhos se dedica as corridas curtas (com baby-jogger).
A Lena não fazia esporte antes de casar e depois de alguns anos jogando tênis e volley. Passou a correr e a nadar naturalmente, quando nos mudamos para os Estados Unidos resolveu iniciar no triathlon.
Eu fiz minha primeira maratona em Chicago e continuei correndo. Com a família fazendo triathlon, o trabalho na loja e o envolvimento com a comunidade me aventurei, aos 54 anos de idade, a aprender a nadar. Por incrível que parece eu nunca aprendi a nadar. Continuo a lutar com a água, mas sobrevivo. Mesmo trabalhando entre 10 a 12 horas diárias, encontro tempo para treinar de 10 a 15 horas por semana dependendo da época do ano. Comecei com os triathlons curtos, passei para os de distância olímpica e rapidamente para Meio-Ironman. Decidimos então participar de um Ironman. Decidimos significa: a Lena e eu. Ela achou que estava louco e pensando bem, era de fato uma loucura. Sempre achamos que seria impossível fazer uma prova dessa distância, ficávamos cansados só de pensar em correr uma maratona, depois de nadar e pedalar tanto. A idéia foi transformada em realidade. A principal razão para treinarmos para o nosso primeiro Ironman, eu com 59 anos e a Lena 57, era o fato de continuarmos a treinar. Levar uma vida saudável e sair da rotina do trabalho por algumas horas. Além disso treinamos juntos na maioria das horas. Em dezembro de 2002 conversamos com o Kid e ele concordou em nos treinar, uma treino semanal para fazermos só o Ironman do Canada, em agosto de 2003. Em primeiro de janeiro iniciamos os treinos e com grande alegria e emoção terminamos a prova em agosto. A Silvia que havia feito o Ironman do Canada alguns anos antes, foi para ser nossa staff e nos ajudar antes da prova. Foi com seu marido Ron e o filho. Foi ótimo. Depois de anos e anos apoiando os filhos em treinos e competições de natação, tênis, corrida, etc., desta vez invertemos os papéis. Tínhamos decidido parar por aí, mas as razões descritas acima falaram mais alto e resolvemos fazer o segundo também no Canada em 2004. Se tornou uma rotina: trabalho, treino, trabalho, treino. Intercalamos ainda com os netos que estavam chegando, três do Kid e dois da Silvia. Para não atrapalhar as idas a cidade de Charlotte para visitar a família da Silvia, resolvemos fazer as longas de ciclismo na sexta. Funcionou bem, mas mesmo assim anda ia à loja após o treino de sexta. Em 2005 fizemos nosso terceiro Ironman e 2006 resolvemos dar uma parada e estamos na rotina de treinamentos diários para voltarmos em 2007.
Hoje, aos 62 anos e a Lena com quase 60, tiramos algumas conclusões importantes após 37 anos de casados: a vida esportiva une a família, faz novas amizades, faz com que aprendamos a perder e a ganhar, é saudável, diminui o risco de doenças crônicas e ajuda a ter uma boa noite de sono. É um desafio diário e constante, ensina disciplina, a lidar com objetivos, traz alegrias e tristezas, mas o resultado final é altamente compensador.
Boa sorte a todos!
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