Dicas / Femininas / Massagem indiana na gravidez segundo a Ayurveda


A medicina moderna vê a concepção de forma similar ao conhecimento legado por povos que viveram há 5.000 anos atrás. Dos procedimentos, mantras, alimentos, ervas medicinais, desenvolvimento fetal, amamentação e distúrbios da saúde, vamos nos deter na "Abhyanga", a massagem indiana na gravidez, durante e após o parto (quando a mãe e a criança recebem atenção especial).

Nesse período a mulher passa por mudanças metabólicas, físicas e mentais. Deve tornar a musculatura mais flexível e macia fazendo ásanas com alongamentos, pranayama ou exercícios respiratórios, cuidar da alimentação e receber massagens.

Mesmo não tendo se preparado para o evento deve dedicar os três primeiros meses a aprender técnicas de relaxamento, meditação e aumentar a serenidade para se tornar uma boa mãe. Na gravidez a mulher experimenta uma ligação íntima entre o corpo e a mente e precisa preservar a harmonia interior.

A massagem, os ásanas do yoga, o pranayama e a meditação afetam o organismo inteiro, promovem ótima saúde, unificam a parte física, emocional e espiritual num ambiente químico melhor para o crescimento do bebê no ventre materno. Essas práticas também proporcionam uma recuperação rápida após o parto.

Os três primeiros meses.
A combinação de massagem, ásanas específicos como matsyana (postura do peixe), shashankasana (coelho), hamsasana (cisne), ushtrasana (camelo) e exercícios de pranayama fortalecem os músculos abdominais, ajuda a carregar o bebê na barriga e o seu correto desenvolvimento. Os músculos abdominais são importantes no parto para empurrar o bebê para fora do útero. A massagem e os ásanas do yoga evitam ombros caídos durante a gravidez, fortalecem os nervos e, nesse caso, o paschimottanásana (inclinação para frente) e o surya namaskar (saudação ao sol) são posturas ideais.

Massagear a região lombar e o abdome com óleo concentrando-se primeiro na pélvis, depois na coluna e finalmente nos músculos abdominais. Flexibilizar a região pélvica facilita o parto e os músculos das costas mais fortes suportam o peso extra do bebê. Posturas de cócoras e de pernas cruzadas são muito adequadas.

No primeiro e no segundo mês a mulher deve ingerir mais cálcio, fósforo, ferro e outros minerais, realizar tarefas domésticas leves, exercitar a respiração e a meditação.

Massagear mais as costas, coxas, panturrilhas, tornozelos e pés com pouco óleo, já que a fricção para absorvê-lo aumenta a tensão e muda o padrão respiratório normal. Não aplique óleo no corpo, lubrifique a mão para suavizar a fricção. Óleo de gergelim é bom para a mamãe vata, coco para a pitta e mostarda ou canola para a kapha. Óleos essenciais de sálvia, lavanda, eucalipto, limão se usa de acordo com o dosha. Girassol, amendoim, milho, semente de uva, amêndoas e aromas florais são compatíveis, entretanto a preferência da futura mamãe deve ser respeitada.

No terceiro e no quarto mês o feto desenvolve os membros, move-se, fortalece os órgãos e adquire consciência. Seus desejos por prazeres sensoriais, como sabor e aroma se expressam através das vontades da mãe. As vontades da futura mamãe revelam as preferências do bebê.

Massagem nas costas e relaxamento: Os seis últimos meses.
Após o terceiro mês reduzir os ásanas extenuantes ou que requeiram a manipulação de músculos. Na Índia as mulheres não praticam posturas de yoga depois do terceiro mês, e sim flexões e alongamentos suaves. As posturas que podem ser praticadas durante toda a gravidez e depois dela são matsyana, shashankasana, hamsasana, ushtrasana, pashimotanasana, surya-namaskar pranayama, técnicas de relaxamento e meditação.

Muitas mulheres ficam mais emotivas, principalmente após o terceiro mês e podem cair em depressão súbita. Relaxar reduz a fadiga emocional. Após cada seção de massagem nas costas, a pélvis, espinha e de novo nas costas, a mulher deve praticar exercícios de respiração simples ou um de relaxamento: yoga nidra (sono yoga), shavasana (postura do cadáver), a contagem das respirações ou a repetição de mantra.

No quarto mês a massagem deve ser suave e relaxante, na cintura, nas costas e na região abdominal. As pernas e os ombros devem receber um pouco de fricção, compressão e amassamento. Ao final desse mês o feto atinge cerca da metade da altura que terá quando nascer.

No quinto e sexto mês sentem-se os movimentos do feto claramente. A criança dorme, acorda em sua existência subconsciente e muda de posição. Começa a acumular gordura, desenvolve unhas, chega a 30 centímetros e pesa entre 350 e 450 g., a atividade no útero aumenta. No sexto mês já tem cognição e responde ao ambiente externo. Massagear longa e suavemente cintura, costas e espinha e terminar com fricção e compressão nos ombros e panturrilhas. A região abdominal não deve ser massageada, mas friccionada suavemente.

Do sétimo ao nono mês o desenvolvimento se completa, a criança cresce, ganha peso e adquire controle muscular. O objetivo da massagem e do exercício respiratório nesse período é eliminar tensão, toxinas e fortalecer a coluna.

Melhorando a circulação a massagem, combinada com a respiração pranayama, purifica o sangue aumenta a vitalidade, supre oxigênio e anticorpos necessários ao sistema imunológico da criança.

Continuar a massagem até o início das dores do parto. Durante as contrações a futura mamãe pode receber massagem de relaxamento para reduzir o medo, tensões e bloqueios. Massagear a parturiente nos ombros e no pescoço com mais suavidade que antes do início das dores. Por outro lado, suas costas, cintura e pélvis podem ser massageados com mais profundidade do que foi aconselhado depois do quarto mês e antes do início do trabalho de parto. As pernas e panturrilhas não devem ser massageadas durante o parto.

A mulher deve se sentir segura e protegida nesse momento. Pede-se a ela que visualize o nascimento do bebê ou que se concentre num yantra de nascimento. Essa concentração ajuda a promover um parto rápido e desvia a atenção da dor. O relaxamento resultante permite à criança nascer mais facilmente.

Depois do parto, em seguida ao nascimento do bebê, a mãe deve descansar e relaxar por três ou quatro dias antes de retomar as massagens e os exercícios respiratórios que devem prosseguir por mais quarenta dias. Esse período pode ser prolongado, mas não reduzido. Na Índia tanto o recém nascido como a mãe recebem massagens com a mesma regularidade com que recebem alimento. A massagem como instrumento de purificação é especialmente importante, pois nesse período nem a criança nem a mãe devem realizar exercícios físicos cansativos.

O corpo de uma mulher sofre tensões físicas e mentais durante o parto. Há dor antes e depois do parto. Além da massagem no abdômen, a massagem pós-parto nas panturrilhas, costas, cintura, pescoço e ombros promove um rápido restabelecimento. Nos últimos quatro meses, a musculatura do abdome estica a medida que o feto cresce e a massagem regular com óleo ajuda os músculos a recuperarem as suas formas originais após o parto.

Nos tempos modernos, as mães acham que não podem ficar quarenta dias descansando. Sem esse descanso há problemas relacionados à fadiga, tensão e sentimentos naturais de romantismo da mulher.

Mudam a economia e a estrutura social, mas a musculatura da mulher não muda. Temos um padrão de vida melhor, mas perdemos saúde física e mental. Durante a recuperação não se pode negar à nova mãe o descanso que ela precisa. A tradição hindu considera que a nova mãe passa por uma purificação natural nos quarenta dias que se seguem ao parto. Não deve rezar ou cozinhar nesse período. No final ela é banhada como declaração oficial de que está pronta para reassumir a rotina normal. Por quarenta dias ela recebe alimentos nutritivos, massagens e pratica exercícios leves. É preciso preservar a vida conjugal reservando às novas mães seu descanso merecido e massagens com óleos, isso apressa o restabelecimento e deixa o seu espírito mais leve.
 
Por Beto Carlos de Campos

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