Destark Julho 2009 - Zivaldo Junior


Sem correr não vivo mais. Deixar de cumprir a planilha torna o dia difícil e o arrependimento bate forte.

Ser convidado pela Tamara a participar do Destark me orgulha muito, pois é uma forma de compartilhar os meus valores, sentimentos e experiências.

E agora, o que escrever? Pensei muito e resolvi que deveria aproveitar a oportunidade para homenagear e agradecer aos Amigos Corredores da Família Stark pelos momentos de companheirismo, alegria e descontração que sempre me proporcionaram e que mudaram minha vida.

A Vida de Corredor é cansativa e exige muito equilíbrio, determinação e ousadia. O Corredor tem que aprender a conciliar suas atividades físicas com a família, trabalho, estudos e amigos.

Percebi ao longo desses 16 (dezesseis) meses de Stark que o treino é uma rotina. Corremos e corremos, às vezes na beira-mar, Praia de Iracema, Coco, Leste-Oeste, Av. Washington Soares e até no Beach Park.

A rotina de treino inicia às 05h30min. Nesse horário começam a chegar àqueles mais apressados e rapidamente a equipe se forma e começa o aquecimento. Prontos, vamos correr, começa o divertimento, as histórias são muitas, cada um aproveita o momento para falar de sua vida e até confissões aparecem, algumas sigilosas.

Ao passar pelo km 2 a equipe das 6h já se posiciona, bom dia para todos. Nesse momento o passo aperta, começam as brincadeiras de corredor, às vezes tem 4 x 4 ou subidas, mas mesmo assim vamos firme cumprindo a planilha do Prof. João Tavares, grande amigo e motivador.

No retorno encontramos a equipe das 6h, bom dia em alto é bom som, embora um pouco cansados, seguimos em frente para o término do treino.

Já que correr é rotina, e rotina é chata, então porque gostamos tanto de correr?

Os Corredores são os principais Atores que fazem de cada treino uma experiência e aventura diferente e valiosa, pode ser iniciante, intermediário e elite, não importa cada um tem muito que ensinar e aprender.

O certo é que tem Corredores de todo tipo e mania, o que já me rendeu boas gargalhadas, inclusive de mim mesmo. É Você Corredor, qual o seu tipo e mania?

Existem os Corredores da Moda que usam os últimos modelos de vestuários, desde calções e camisetas reflexivas, boné de todo tipo, óculos de sol de grife, garmin forerunner 310XT 405CX e o bom e companheiro tênis de marca. Tem até um novo estilo, correr com dois frequencimetros, deve ser para ter certeza do ritmo, esse tinha que ser da elite.

Os Corredores Circenses são alegres, engraçados, brincalhões, malabaristas e até equilibristas da trilha do Cocó, esses de tudo fazem graça.

Os Corredores Silenciosos são aqueles que fazem da corrida uma meditação. Não adianta puxar conversa. Receber a atenção demora o tempo necessário para tirar o fone de ouvido, repetir a pergunta ou comentário é a única solução.

Os Corredores Personal Trainer são os mais experientes, falam todo o tempo e o tempo todo, lembram a distância percorrida e a percorrer, controlam o ritmo e orientam o que devemos fazer e até no que pensar. Corredores importantes, pois motivam o grupo a continuar e melhorar cada vez mais o desempenho.

Os Corredores Médicos que sabem tudo, os melhores suplementos, energéticos, aminoácidos, isotônicos, vitaminas, medicamentos e os segredos das técnicas de recuperação física e mental.

Os Corredores Manhosos onde reclamam que a dor começa na panturrilha, passa pela canela, joelho, coxa, braço, pescoço e até na consciência. Não sabem eles, como diz o filosofo Wanderlei de Oliveira, que “dor de treino se cura treinando”.

Os Corredores Solitários e Tímidos que correm isolados do grupo, mas livres dos outros tipos de Corredores.

Os Corredores Camelo que pouco bebem água, mas que às vezes ficam sonhando e desejando que o Helano esteja lá, no posto de água no final da beira mar, e do amigo Luciano em sua moto, sempre dedicado e preocupado a espera dos Corredores para a água nos dar.

Os Corredores Competidores que só pensam em disputar. Esses são fáceis de provocar, basta apertar um pouco o passo e vamos lá.

Os Corredores Sonhadores, que pensam em correr aqui e acolá, pensam em correr 5 km, 10 km, Meia-Maratona, Maratona, Ironman e até o Pateta. Sonhos que na cabeça de Corredor sempre se tornam realidade.

As Corredoras Manequins da STARK que adoram umas guloseimas, tortas, pudins e até grude, mas que não perdem a elegância e a beleza, e que usam as famosas blusas baby look, essas não perdem um dia de treino para compensar.

Os Corredores Turistas que conhecem o Brasil e até o Mundo, Pode ser em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Chicago, Buenos Aires, Disney, Paris e até Montreal.

Os Corredores Baladeiros que não perdem o Mucuripe, mas pela manhã estão recuperados e prontos a cumprir a planilha.

Não se pode esquecer o Corredor Coelho, esse é o mais famoso e disputado na Stark, é ponto de honra, a disputa é acirrada, já deu até confusão, mas ao final, aprendemos a intercalar o comando.

Existem ainda os Corredores Aprendizes e Criativos como EU, que tentam colher os valores e experiências dos Corredores da Moda, Circenses, Silenciosos, Personal Trainer, Médicos, Manhosos, Solitários e Tímidos, Deserto, Competidores, Sonhadores, Turistas e Baladeiros, e que procurou de uma forma simples e de coração homenagear aqueles amigos que me ajudam, motivam e me agüentam durante os treinos.

Mesmo correndo o risco de esquecer alguns dos amigos, ouso em lembrar aqueles companheiros de treino, que muito vem me ajudando a melhorar cada vez mais: Aderson, André, Bambam, Cacá, Caica, Caroline, Clice, Daniel, Douglas, Edgy, Edila, Enéas, Eugênio, Éverton Furtado, Fabrício, Giovanno, Haron, João Tavares, Ially, Laryssia, Lídio, Luciana, Regis, Luiz Henrique, Márcia, Márcio, Marco, Marcus, Maximiliano, Pedro, Raquel, Regina, Roberto, Rômulo, Tamara, Tarcisio, Valeria, Wander e Ximenes.

Por fim, dedico a Oração do Corredor aos amigos integrantes da Família Stark, que expressa meus agradecimentos pelos momentos de pura emoção que vem proporcionando em minha vida.

Oração do Corredor

Ó Mercúrio, deus supremo da velocidade: diante de Ti, este humilde servo vem, de tênis postos, pedir sabedoria, bênçãos e proteção.

Que, antes de qualquer coisa, Tu possas me dar saúde, condição fundamental para os que querem vencer o desafio esportivo mais antigo de todos os tempos: cruzar a superfície do planeta usando apenas o próprio corpo, os próprios pés.

Que, como Feidípedes, o primeiro homem a completar uma maratona, eu possa suportar estoicamente as dezenas e dezenas de quilômetros de treinos semanais, a que terei de me entregar, caso queira vencer.

Que eu possa correr ao lado de amigos, e se não de amigos, de gente gentil, que respeite minhas limitações e se compadeça do meu esforço, tendo sempre na boca uma palavra de estimulo para me ajudar a vencer a ladeira interminável ou a última reta da prova.

Que o calor, se tiver de vir, seja brando ou apareça no último quilômetro da prova.

Que a chuva caia na hora certa, nunca antes da largada. E que o vento forte esteja sempre a soprar contra minhas costas, em vez de contra meu peito.

Que meus adversários sejam nobres e, se tiver a graça de vencê-los, que eu jamais os humilhe. Pois sua luta valoriza a minha conquista, sua força alimenta minha resistência e seu caráter ilumina o meu.

Que os grandes heróis das pistas possam ser o farol que ilumina minha trilha rumo à linha de chegada. Daí-me a audácia de Jesse Owens, a coragem de Steve Prefontaine e a resistência de Zatopec. E que o espírito nobre de todos aqueles que singraram pistas e ruas ao redor do mundo, através dos séculos, possam ser meu combustível para a conquista de novos objetivos.

Daí-me forças para vencer os caminhos traiçoeiros, o sofrimento das contusões e as dores de depois dos treinos. Mas, acima de tudo, brindai-me com a sabedoria, para que eu possa aceitar bolhas tropeços e derrotas com o espírito sempre elevado, o espírito de um campeão.

Mas acima de tudo, ó Mercúrio, eu Vos peço velocidade.

Que eu possa correr. Correr muito. Correr como um deus com asas nos tornozelos.

Quando chegar ao final de minha vida e meus passos cessarem de ser ouvidos sobre a face da terra, que as pessoas possam velar meu corpo cansado de milhares de quilômetros percorridos, dizendo: “Ele era um corredor.” Não um médico, um empresário, um homem da ciência, um professor ou um estadista, mas, apenas e tão somente, um corredor.

E que eu possa entrar no céu não batendo asas, mas correndo. Correndo como um anjo que cruza um portal de nuvens fazendo um desenho de linha de chegada. Para em seguida dormir nos braços de Nike, a deusa da vitória.

(Por Marcos Caetano – jornalista e colunista esportivo).

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