Destark Agosto 2010 - Everton Gurgel


Saudações, Starkianas e Starkianos!

Bem, o mês dos pais me trouxe aqui para o Destark. Isso porque gozo da felicidade de ninar com infinito amor uma bebê de 10 meses. Aproveito então para mandar apertados abraços para os novos pais Starkianos, nomeadamente ao Haron, ao Edgy e, por que não? Ao Eugênio, uma vez que a cegonha já se vê despontando no horizonte. Deus ilumine nossas crianças.

Sim, vamos ao tema. Meus treinos na Stark.

Vejam, já há muito gosto de esporte. Tudo começou assim: Deus fez o Mundo em sete dias, depois colocou Adão e Eva e depois.... Pera aí, vou adiantar um pouco senão não cabe neste espaço.

Agora sim: meus pais já me davam o exemplo de cuidado com o corpo e saúde, em que pese não tivessem qualquer relação profissional com esportes. Lembro-me, em uma época tão distante quanto o início de minhas memórias, do meu pai deitado na sala de estar a fazer abdominais. Meio desajeitado e sem técnica, mas eram abdominais. Minha mãe, por sua vez, ainda na primeira metade da década de oitenta, praticava ginástica duas vezes por semana. Creio que, naquela época, se ela tentasse explicar o que era isso para suas amigas, seria retrucada com a pergunta: “mas nessa tal de Ginástica vende bolsa de couro? É uma nova loja de sapatos, ou é pra fazer as sobrancelhas?”. E segui também eu esse caminho de não descuidar do corpo. Sempre pratiquei esporte e, para além disso, alimentei-me bem (certo que sem dispensar os prazeres de uma boa picanha ou de um carneiro guisado).

Assim, diferentemente de uns, não entrei na Stark para “encontrar Jesus”, conforme canta Durval Lelys, mas para manter-me em boa forma. Explico a trajetória que me levou à Stark então.

Ainda adolescente, comecei a surfar de bodyboard, o que foi me foi proporcionado pelo período que passava na casa de meus pais no Icaraí. À época, minha família ia para ali num final de semana sim e noutro também, sem falar nas férias, dia santo ou feriado. O mar batendo à porta, apaixonei-me pelo canto da sereia e o mar virou meu parceiro. Afinal, “Deus ao mar o perigo e o abysmo deu, mas nele é que espelhou o céu” (Fernando Pessoa).

Na verdade o perigo era mínimo. Tenho mais medo dos carros do rush da Beira Mar. Era mais o céu mesmo, e a prática reiterada do esporte levou-me a participar com algum sucesso do circuito estadual de bodyboard. Digna de nota foi minha vitória em uma semifinal de campeonato, contra o pentacampeão brasileiro, Roberto Bruno, com o mar em condições épicas.

Com passar do tempo, as recorrentes más condições naturais para o esporte no Ceará me foram tirando a paciência. Não entendia como alguns amigos conseguiam ficar três ou quatro horas seguidas pegando verdadeiras marolas. E eu a pensar: “mas que sujeito chato sou eu, que não acha nada engraçado macaco, praia, carro, jornal, tobogã” (Raul Seixas). Até que eu gosto de carro e jornal, só não tenho paciência para marola.

Mas eis que, quando pensava que meu enlace com a ninfa marítima chegava ao fim, a mudança para o surf de prancha deu sobrevida àquele desgastado relacionamento. Desta feita, foi um amor tórrido e fugaz. Aprendi rápido o esporte, mas, após poucos anos, a conhecida ausência de boas ondas me deixou novamente boiando em desestímulo.

Passei a frequentar cada vez menos o mar. Tão menos, que senti a necessidade de introduzir outro esporte na minha vida. Daí: Stark (Ufa! Quase que não chegava aqui).

Bem, o que posso dizer é que a Stark faz da corrida um prazer, acima de tudo pelas ótimas companhias que ali encontrei. Como já dizia a banda americana Mighty Bosstones: “We could go there together, If we could go there, Together everything's better”. Pois é, juntos tudo é melhor, e as companhias na Stark fazem valer todos os centavos investidos ali. Não esqueço o fato de que, quando minha esposa ficou grávida e não mais podia ir para a Stark, eram incessantes as perguntas das Starkianas por ela, sempre com votos de boa sorte nitidamente impregnados de carinho. Isso, não obstante o pouco tempo dela como membro Stark.

Comecei a observar que a Assessoria me fazia muito bem. Percebi que no grupo da noite o processo de produção da endorfina não seguia o descrito nos compêndios fisiologia. Pelo menos para mim, a primeira carga do hormônio vinha de logo com as primeiras brincadeiras descontraídas, que depois seguiam permeando todo o treino.

A extrema seriedade com que levamos nossos afazeres profissionais encontra, portanto, uma eficiente válvula de escape na noite starkiana. Não só pelo exercício em si, já que “physical activity is the way to free your mind” (Millencolin, rock sueco), mas, sobretudo pela descontração que encontro entre as parceiras e parceiros de corrida. Vale o testemunho: as parceiras e parceiros da Stark são gente de primeira, tirando os defeitos deles... ...não sobra nada (essa é do Falcão. Acho que não ficou muito boa não, meio fora de conexão com o texto, mas vou deixar por prestígio ao conterrâneo cabeça chata). Brincadeira, ok? Apenas não poderia perder a piada. É assim que vejo a Stark. E por isso que o tom desta minha mensagem segue essa linha.

Afora isso, minha meta com a corrida é simplesmente manter a forma. Ah, falando nisso, vou pedir espaço para elogiar o trabalho do meu xará, o general linha dura Everton, responsável pelo treinamento funcional, ou seja lá como se chama aquela tortura que ele ministra após as aulas. Tortura ou não, é muito efetivo o treino, cobre, por exemplo, regiões do abdômen que eu nem sabia que existiam. Nota dez (depois dessa, Everton, eu peço meu desconto).

E é isso. Vou seguindo a filosofia do Ultraje a Rigor, cuja canção diz: “todo equipado, preparado na linha de partida, Daqui a pouco vai ser dada a saída, Todo mundo nervoso e eu não tô nem aí, O importante é competir, Então tá, vamo lá, nem vou me preocupar, Eu vou tentar só pra não falar que eu nem sou atleta, vou seguindo sem ser muito ligeiro, Com cuidado pra não ser o primeiro, Já dá pra enganar eu ficando suado”.

E assim eu vou, divertindo-me muito, mantendo a forma, e com cuidado para não ser o primeiro.

Abraços fraternos e feliz dia dos pais!

Everton Gurgel

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