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Oi Starkianos, no dia 29 de maio de 2005 lá em Porto Alegre eu completei junto com a Rafa (Rafaela Machado Pinto) a nossa primeira maratona completa (42km 195mts). E como essa experiência foi verdadeiramente fantástica eu queria partilhar com vocês e quem sabe inspirar a alguns colocar como meta pessoal um dia correr e completar uma maratona.
Como muitos sabem, eu já pesei 154kgs e isso dá um tempero ainda mais saboroso nessa conquista que por si só já é um feito admirável, no entanto minha intenção aqui é justamente o contrário, é tentar desmistificar essa prova que a maioria pensa ser algo inatingível. Você precisa saber que pode deixar de sonhar em correr uma maratona e começar a se preparar para efetivamente correr uma.
No hotel em que fiquei deveriam estar hospedados outros 50 maratonistas de todo o Brasil e também de visitantes nossos do Uruguai que vieram correr a prova em Porto Alegre e só quem estava correndo a maratona pela primeira vez éramos eu e a Rafa. Todos os outros tinham uma longa lista de maratonas já corridas, gente com mais 10,20, 30 , 40 maratonas.
Não eram atletas jovens de corpos perfeitos no auge de suas formas físicas não. E isso me fez refletir sobre quão democrático é o esporte da corrida, ali encontrei uma senhora que tinha 58 anos (terminou a maratona com 3hs 32 minutos) ela já tinha mais de 10 maratonas no currículo e começou a correr com (pásmem) 53 anos. Outro hospede do hotel estava na 48a maratona, tem atualmente 68 anos e fez sua primeira maratona com 48 anos. Ou seja, se você quer e se aplica nos treinamentos você pode chegar lá.
No meu caso desde janeiro me preparava para essa prova, bem na verdade inicialmente pensava em fazer a maratona de Vancouver no Canadá mas acabou não dando certo e resolvi acompanhar a Rafa e ir correr em Porto Alegre. O processo foi longo e desgastante pois antes de janeiro a maior distancia que havia corrido era 21km.
Como havia decidido correr uma maratona esse ano eu resolvi focar na corrida e parei de pedalar em janeiro para conseguir atingir meu objetivo o mais rápido possível. De Janeiro até agora foram muitos sacrifícios, renuncias e, é claro, muitos longões (16, 18, 21, 24, 28 e 30 kms) algumas dessas distancias eu fiz 2, 3, 4, 5 até 6 vezes e isso implica num desgaste sensível de musculatura, tendões e articulações por isso durante todos esses meses dei uma atenção especial aos alongamentos, hidratação e alimentação durante os treinos longos e também fiz pelo menos uma massagem por semana tentando ao máximo respeitar os day offs para dar tempo de recuperação ao meu corpo.
Antes da prova fiz com a Tamara uma programação detalhada km a km com expectativa de ritmos e batimentos cardíacos além de uma minuciosa receita da hidratação e alimentação que eu deveria fazer ao longo da prova. No grande dia eu estava nervoso e apreensivo mas muito confiante, nos minutos que antecederam a largada fiz uma oração a Deus que me protegesse e preservasse todos os órgãos do meu corpo durante a prova e que me permitisse chegar inteiro ao final. Me imaginei chegando e comecei a correr.
Quem corre sabe que tem dia que dá tudo errado, você usa a estratégia errada, as pernas pesam, o gel embrulha no estomago etc. Pois bem, nesse dia tudo aconteceu para fazer daquela manhã um dia inesquecível para mim. O universo todo conspirou para que eu corresse melhor e mais solto do que nunca antes tinha acontecido.
A temperatura estava perfeita, quando largamos estava 15 graus quando chegamos uns 25, o percurso de um modo geral super plano a não ser por uma subida muito forte no km 40 que de tão perto da chegada não faz ninguém desistir. Talvez se essa mesma subida fosse no km 30 muito gente parasse pois ainda faltariam 12km mas, no finalzinho como ela está ninguém é doido de parar.
Bem como disse tudo deu certo pra mim, comecei bem conservador fazendo o primeiro km em 7 minutos e em conseqüência disso fiquei literalmente em ultimo lugar, sei disso porque a ambulância que acompanha os corredores estava imediatamente atrás de mim e me acompanhou uns 3km até que aqueci e comecei a ultrapassar outros corredores.
A cada km eu me surpreendia comigo mesmo, o coração sempre baixo, o ritmo depois de aquecido sempre mais rápido que o programado e o tempo acumulado sempre menor que o esperado para cada parcial de distancia. Me senti realmente muito bem durante toda a corrida e em nenhum momento pensei em desistir ou parar. Tudo estava tão perfeito que consegui fazer a segunda metade mais forte que a primeira, ou seja fui mais rápido nos últimos 21km que nos primeiros.
Nos últimos 500 metros com a certeza de que iria completar já comecei a agradecer a Deus o dom da minha vida e da minha saúde pois essa é a maior riqueza que podemos ter. De super obeso mórbido passei a ter a alcunha de maratonista e essa ninguém pode me tirar. Completei a prova em 4 horas 25 minutos e 17 segundos.
Não poderia deixar de agradecer a Stark e em especial a Tamara que sempre acreditou, me incentivou e me instruiu no caminho mais curto e seguro para a realização desse sonho. Se eu posso dizer hoje que sou um maratonista, você que lê esse relato também pode ser, basta acreditar e é claro treinar focado e seguindo as orientações da Stark. A sensação de completar a primeira maratona é indescritível e algo que guardarei para sempre na lembrança, disse primeira, pois, estou seguro que não será a ultima. Quero daqui a alguns anos ter varias maratonas no currículo e ser para outros, fonte de inspiração como o Silvio (aquele senhor de 68 anos e 48 maratonas na bagagem) é para mim.
Deus os abençoe e bons treinos Gilson Gomes Filho
Gilson na revista O2
Gilson antes da cirurgia
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