|
De corredor a triatleta... No começo de 2007 a Stark firmou uma parceria com o Leandro Macedo (triatleta e agora também técnico radicado em Brasília) para que ele treinasse a equipe de Triathlon da Stark. Era uma oportunidade única, afinal ser treinado pelo maior triatleta brasileiro da história não é pra todo mundo. De Brasília ele mandava os nossos treinos e uma vez por mês passava uma semana em Fortaleza treinando conosco e nos passando sua experiência. Por isso em janeiro desse ano coloquei como principal meta de 2007 participar e concluir o Ironman 70.3 de Brasília.
Já tinha uma boa base de corrida e ciclismo, faltava-me, além da natação, o treino direcionado para o triathlon com suas particularidades, transições etc. Dentro da preparação que o Leandro programou para a nossa equipe de triathlon estava a participação em 3 triathlons olímpicos e o primeiro foi logo um mês depois, coincidentemente no dia do meu aniversário, 10 de fevereiro. Fiz a prova bem conservadoramente para não correr o risco de não terminar, pois era o meu primeiro olímpico e fazia apenas um mês que treinava para ele. Terminei com 3h49min estava radiante de alegria, mas sabendo que muito tinha que melhorar.
Para nós atletas amadores, nosso grande desafio é sermos verdadeiros mestres na arte de conciliar os treinos para um Ironman com a vida familiar e profissional e comigo não foi diferente. Durante praticamente 8 meses, não soube o que era sair e voltar tarde pois para quem tem de acordar no máximo às 5:00hs da manhã seis dias por semana, dormir depois das 11:00hs chega a ser irresponsabilidade. Nos últimos dois meses antes do Ironman 70.3, o Leandro tirou nosso único dia de moleza, que era a segunda feira quando o treino era sempre uma natação leve e transformou em mais um dia de corrida com pelo menos 1h30 de duração, ou seja na reta final já não tínhamos alívio nem na segunda feira. Tanto treino teve resultado, entre o 1º. Olímpico e o 3º. eu baixei meu tempo de 3h49 para 3h18 e por isso me sentia confiante e preparado para o 70.3 de Brasília.
A viagem para a prova foi uma benção do começo ao fim, pois todos os obstáculos foram sendo tirados por Deus. Meu vôo que iria primeiro pra São Paulo, onde faria uma conexão, foi cancelado e eles conseguiram nos colocar (eu e minha esposa) num vôo de outra companhia direto para Brasília. Quando chegamos ao hotel onde tínhamos feito uma reserva na suíte mais econômica, eles nos informaram que como não havia suítes disponíveis nessa categoria e na intermediária, eles iriam nos colocar na suíte top do hotel. Essa suíte tinha quase 80m2, com sala, ambiente pra jantar, escritório, duas TVs e duas varandas, quase nem acreditei.
No dia da prova estava sereno e confiante, antes da largada abracei minha esposa, ela fez uma breve oração e eu parti para o maior desafio da minha vida. A natação foi uma maravilha, nadar no logo Paranoá em água doce e sem marola era muito mais fácil que no mar de Fortaleza. Só comecei a nadar esse ano, mas fiz o melhor tempo da minha vida. Saí da água feliz da vida, posei pra que minha esposa tirasse um foto e corri pra área de transição.
Como a prova é longa não tive pressa na transição, pois queria fazer os 90km de pedal da forma mais confortável possível então coloquei, meia, short de ciclismo, luva de ciclismo e ainda fui ao banheiro antes de sair pedalando. Todos esses cuidados foram importantes para que eu fizesse um tempo que nunca havia conseguido em treinos, meu tempo de pedal foi 3h08min e eu curti cada minuto.
Parti para a corrida inteiro, imprimindo um ritmo legal, mas depois dos 10km as famigeradas câimbras chegaram e tive de diminuir o ritmo pra conseguir chegar, a umidade era baixíssima e a boca secava com muito rapidez, 200 mts depois dos postos de hidratação a garganta já tava seca, os últimos 3 kms foi superação total.
Cheguei com 6hs e 36minutos, recebi a medalha e a camisa de “Finisher” do Ironman 70.3 de Brasília, fui o 371 colocado entre os quase 550 triatletas que participaram dessa edição da prova. Tenho certeza, no entanto, que poucos se sentiram tão vencedores como eu, pois como vocês sabem eu já fui um obeso mórbido e pesava 154,8 kgs.
Meu desempenho é mediano, sempre chego entre os anônimos, mas me sinto um anônimo vencedor, pois o esporte que pratico é como uma prestação que eu pago todo dia comprando a saúde que eu quero ter com 70, 80 ou 90 anos. Sou católico praticante e sei que todas essas metas não seriam alcançadas se não exercitasse também minha fé e se não contasse com a condução de Deus na minha vida. A Ele todo louvor e adoração por essas vitórias anônimas que Ele me deu forças para conquistar:
- São Silvestre 2003 - Meia maratona do Rio de Janeiro 2004 e 2005 - Desafio 24 hs de ciclismo de Fortaleza 2004 e 2005 - Meia maratona de Fortaleza 2005, 2006, 2007 - Maratona Internacional de Porto Alegre 2005 e 2006 - Circuito cearense de triathlon olímpico 2007 - Ironman 70.3 Brasília 2007
Pra terminar queria dizer que mais do que a medalha de finisher do 70.3 o maior presente que recebemos durante esses treinos de preparação é que foi criada nos membros da equipe de triathlon da Stark (Eu, o Iuri, o Luiz Henrique, o André Parente e o Paulinho Amarelo) um laço muito estreito de amizade. A equipe dos “70” como nos chamamos uns aos outros (fazendo referencia ao nome da prova Ironman 70.3) deixou de ser apenas companheiros de treinos e nos tornamos amigos na vida. Essa amizade contagiou também nossas esposas e elas também se tornaram amigas, já fizemos inclusive confraternizações e jantares pra celebrar a vida e a abençoada amizade que Deus nos deu.
|